De Figueiró dos Vinhos para o Terreiro do Paço e o Palácio Nacional de Sintra

A história das ferrarias

O primeiro alvará das ferrarias data de 1655, em pleno século XVII. Durante este período, estiveram a cargo de Francisco Dufour e, posteriormente, do seu filho Pedro Dufour, com grande importância para o desenvolvimento industrial do país.

Foi durante o reinado de D. João IV e, mais tarde, do seu descendente D. Pedro II, que as ferrarias foram restauradas com a intenção de fundir ali os canhões que eram necessários para fazer frente aos espanhóis, num momento em que Portugal se encontrava em guerra com Espanha, ficando apelidada de Guerra da Independência (1640-1668).

Contudo, a nomeação de Sebastião José de Carvalho e Melo, conhecido Marquês de Pombal, não foi bem vista por estes lados. Ao assumir o cargo de primeiro-ministro, Marquês de Pombal decidiu encerrar as ferrarias, pois tinha projetado, com o governador de Angola, a criação de umas grandes fundições nesse país. Porém, faltava um elemento essencial: os mestres fundidores. Margarida Lucas refere que o Marquês de Pombal colmata essa falha “levando-os à força [de Figueiró] para Angola”.

Assim, as ferrarias ficaram abandonadas à sua sorte até ao reinado de D. Maria I. Forte opositora das ideias e políticas do Marquês de Pombal, decide reabrir as ferrarias. Margarida Lucas considera que a rainha as terá visto como “uma mais-valia para a indústria portuguesa”. Durante o seu reinado, D. Maria I nomeia José Bonifácio de Andrade e Silva como Intendente Geral das Minas e Metais do Reino. Com uma vasta experiência na área, pois era professor na Universidade de Coimbra, viajou pela Europa, nomeadamente por França e Alemanha, para poder aprofundar conhecimentos nesta área.

Foi então que José Bonifácio de Andrade e Silva verificou que o processo da fundição do ferro em Portugal estava em atraso. Era preciso voltar para renovar as ferrarias e fundições que haviam sido encerradas pelo Marquês de Pombal. Nessa altura, o Intendente decide contratar dois prussianos, o Barão de Eschwege e Frederick Varnhagen, para refazerem os fornos que se encontravam danificados devido ao tempo de paragem. Ambos vêm trabalhar para a Foz de Alge, ficando assim como responsáveis pela reconstrução. Tudo isto teve sucesso até 1806, permitindo a construção de dois fornos de maiores dimensões. Como recompensa, oferecem à vila uma cruz em ferro que está localizada na sua antiga entrada.

Da Europa soavam notícias de que as Invasões Francesas chegariam a Portugal e, por isso, o ferro era uma matéria fundamental nesta luta, nomeadamente para a construção de armas de tiro e canhões. “As invasões foram profundamente devastadoras para todo o país”, conta Margarida Lucas. É durante esse período que o rei decide fugir com a família para o Brasil e, com ele, foram também técnicos portugueses, como Eschwege e Varnhagen. Assim, as minas de fundição voltaram a ficar abandonadas. À chegada ao Brasil, o rei aproveita a ida dos técnicos para construir lá umas minas iguais às de Figueiró.

Em 1886, Eschwege regressa a Portugal e resolve reabrir as ferrarias. Apesar de ficar encarregado de voltar a reconstruir as fundições, estas nunca mais voltam a ter a importância de outros tempos.