De Figueiró dos Vinhos para o Terreiro do Paço e o Palácio Nacional de Sintra

Trabalhar o ferro

O ferro era minerado em minas de superfície da região. Trazido até a Foz de Alge, era lá feita a fundição do ferro através de um sistema complexo.

Portugal estava atrasado em relação à restante Europa, principalmente na indústria. Desde a Revolução Industrial que Inglaterra usava o coque (carvão mineral) para a fundição do ferro, num processo que demorava muito menos tempo do que o método usado pelos portugueses. Em Portugal era comum o método antigo, aquecendo os fornos com lenha, um processo que demorava cerca de quatro semanas para atingir a temperatura necessária à fundição do ferro (cerca de mil graus Celsius). Os fornos eram alimentados por matas que ladeavam a fábrica e que pertenciam ao Estado.

A produção destas fundições conheceu três fases. Primeiramente, construíram-se canhões e balas de canhão. Na segunda fase, que coincidiu com o início das invasões francesas, os produtos eram apenas os canhões. Por último, arredadas as causas bélicas, foram feitos artefactos de ferro de alta qualidade. Foi nestas fundições que ganharam forma as janelas do Terreiro do Paço, em Lisboa, e os fogões de ferro do Palácio Nacional de Sintra.

Texto e fotos: Inês Quintas